Perda auditiva neurossensorial, condutiva ou mista: qual a diferença?

Você abriu o laudo da audiometria do seu pai e leu uma palavra comprida: neurossensorial. Ou condutiva. Ou mista. Parece resposta de prova, e ninguém explicou o que muda no dia a dia.
Calma. Essas três palavras só dizem onde está o problema no ouvido. Vamos por partes.
Em resumo
- Condutiva: o som encontra um obstáculo antes de chegar ao ouvido interno.
- Neurossensorial: o som chega, mas o ouvido interno ou o nervo não o transformam bem em sinal para o cérebro.
- Mista: as duas coisas juntas. Só uma avaliação completa diz qual é o seu caso.
Como o som viaja até o cérebro?
Pense no ouvido como uma casa com três cômodos em fila. O ouvido externo e o ouvido médio são a entrada e o corredor. O ouvido interno é a sala onde o som é traduzido para o idioma do cérebro.
O som entra pela porta, atravessa o corredor e chega à sala de tradução. De lá, o nervo leva a mensagem pronta ao cérebro. O tipo de perda diz em que ponto desse caminho algo falha.

O que é perda auditiva condutiva?
É quando algo bloqueia o caminho. Segundo o MSD Manual, ela acontece quando algo impede o som de chegar às estruturas sensoriais do ouvido interno. O problema está no ouvido externo ou no ouvido médio.
O mesmo manual lista como causas um bloqueio (cera, um objeto dentro do ouvido, infecção do ouvido externo), infecções do ouvido médio, lesão no ouvido e otosclerose.
Na nossa casa, é a porta emperrada ou o corredor cheio de caixas. O som existe, mas não passa por inteiro.
O que é perda auditiva neurossensorial?
Você também vai ver “sensorioneural” ou “sensório-neural”. É o mesmo nome. Aqui o som chega ao ouvido interno, mas, nas palavras do MSD Manual, não consegue ser traduzido em impulsos nervosos, ou esses impulsos não chegam ao cérebro.
Entre as causas, o manual cita barulho (de forma súbita ou gradual), envelhecimento, doenças genéticas, alguns medicamentos e algumas infecções. A OMS também cita a perda neurossensorial ligada à idade e a súbita como causas em adultos.
Na nossa casa, a sala de tradução está com defeito. O som chegou, mas a mensagem sai incompleta.
E a perda auditiva mista?
É a soma. Segundo o MSD Manual, a perda mista envolve a parte condutiva e a neurossensorial ao mesmo tempo. Pode vir de traumatismo grave na cabeça, infecção crônica ou de causas genéticas raras.
Perda nos dois ouvidos ou em um só: isso é tipo?
Não. “Bilateral” quer dizer nos dois ouvidos, e “unilateral”, em um só. É a descrição do lado, não do tipo. Uma perda neurossensorial pode ser bilateral ou unilateral, e o mesmo vale para a condutiva.
O NIDCD, instituto de saúde dos Estados Unidos, explica que a perda ligada à idade costuma acontecer nos dois ouvidos e vem aos poucos. Por isso muita gente demora a perceber.
Qual a diferença na prática?
Na vida real, o tipo ajuda a entender o caminho a seguir. O NHS, serviço de saúde do Reino Unido, afirma que a perda de audição pode ter uma causa tratável ou ser permanente. Descobrir qual é o caso é o primeiro passo, e quem faz esse diagnóstico é o médico, com apoio da avaliação da fonoaudióloga.
Sobre os aparelhos, o NIDCD diz que eles são úteis principalmente quando o dano está nas células sensoriais do ouvido interno. Também avisa que um aparelho não devolve a audição normal. Ele ajuda a ouvir e a entender melhor, e isso se aprende com o uso.
O que fazer com o laudo na mão?
- Releia o laudo e anote a palavra que apareceu: condutiva, neurossensorial ou mista.
- Veja se ele cita um ouvido ou os dois. Se quiser entender os números, leia como entender o resultado da audiometria.
- Leve o laudo a uma avaliação. O exame de audição é o caminho para saber qual é o tipo de perda no seu caso.
Quem ainda não fez o exame pode começar por como é a audiometria.
Perguntas frequentes
Perda condutiva é a mesma coisa que perda por cera?
Cera é uma das causas de perda condutiva citadas pelo MSD Manual, mas não a única. Também entram infecções, lesões e otosclerose.
Neurossensorial e sensorioneural são diferentes?
Não. São dois jeitos de escrever o mesmo tipo de perda, com o problema no ouvido interno ou no nervo.
Perda mista é mais grave?
O tipo não diz a intensidade. A intensidade é o grau, medido pela audiometria. Uma perda mista pode ser leve ou mais intensa.
Meu laudo diz o tipo. Ainda preciso de avaliação?
Sim. O laudo é uma foto de um dia. Na avaliação a fonoaudióloga conversa com você, vê a rotina e orienta os próximos passos, inclusive o encaminhamento ao médico quando for o caso.
Quer ajuda para entender o seu laudo?
Agende uma avaliação auditiva gratuita pelo WhatsApp (11) 97870-9261. Atendemos em São Bernardo do Campo, de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, das 9h às 15h. A Aureli é Revendedor Oficial Phonak.
Jessica Ramos, Fonoaudióloga, CRFa 2-24790
Fontes
- MSD Manual, versão para o público: Hearing Loss. Conferido em 09/10/2026.
- NHS: Hearing loss, revisado em 30/05/2025. Conferido em 09/10/2026.
- NIDCD: Age-Related Hearing Loss. Conferido em 09/10/2026.
- NIDCD: Hearing Aids. Conferido em 09/10/2026.
- Organização Mundial da Saúde: Deafness and hearing loss. Conferido em 09/10/2026.