Resultado da audiometria: como ler o audiograma e entender o laudo
O exame de audiometria ficou pronto e veio com um gráfico cheio de linhas, símbolos e palavras como “via óssea”, “neurossensorial” e “grau moderado”. É normal não entender nada, tanto para quem fez o exame quanto para o filho ou a filha que ajuda a cuidar.
Este guia explica, em português simples, como ler o resultado. Ele ajuda você a chegar na conversa com a fonoaudióloga ou com o médico sabendo o que perguntar. Não substitui essa conversa: quem interpreta o seu exame é o profissional que conhece o seu caso.
O que é o audiograma
O audiograma é o gráfico da audiometria tonal. O guia de avaliação audiológica do Conselho Federal de Fonoaudiologia chama esse exame de “padrão-ouro” para o diagnóstico audiológico (CFFa, 2023). Cada ponto marcado é um limiar auditivo: o som mais fraco que aquela orelha conseguiu ouvir naquela frequência.

Como ler o gráfico: grave, agudo, fraco e forte
- Da esquerda para a direita estão as frequências, em Hertz (Hz): graves à esquerda, agudos à direita. O guia do CFFa pede que o gráfico vá de 125 Hz a 8.000 Hz.
- De cima para baixo está a intensidade, em decibéis (dB NA): sons fracos em cima, fortes embaixo.
A regra prática: quanto mais para baixo estiver o ponto, mais forte o som precisou ser para a pessoa ouvir.
Cada orelha tem símbolo próprio, no padrão da associação americana de fonoaudiologia (ASHA) que o CFFa adota. No teste mais comum, o de via aérea sem mascaramento, a bolinha (O) é a orelha direita e o xis (X) é a esquerda. Quando o gráfico é colorido, o vermelho indica a direita e o azul a esquerda (StatPearls). Outros símbolos aparecem quando o exame usa mascaramento ou mede a via óssea, e a legenda do seu exame diz qual é qual.
Via aérea e via óssea: por que existem duas marcações
Na via aérea, o som chega pelo fone. Na via óssea, ele é transmitido por um vibrador apoiado no osso atrás da orelha (StatPearls). Comparar as duas permite classificar o tipo da perda. O guia do CFFa sugere a classificação de Silman e Silverman, que funciona assim:
- Condutiva: via óssea normal, via aérea alterada e uma distância entre as duas marcações, chamada gap aéreo-ósseo.
- Neurossensorial (ou sensorioneural): as duas vias alteradas e próximas uma da outra.
- Mista: as duas vias alteradas e ainda com distância entre elas.
Em linguagem simples, a condutiva envolve a passagem do som pela parte de fora ou do meio da orelha, e a neurossensorial envolve a orelha interna ou o nervo auditivo (StatPearls). A causa, em cada caso, é conversa com o profissional.
Qual é o valor normal na audiometria?
Não existe um único número. Depende da classificação que o profissional adotou:
- A Organização Mundial da Saúde considera audição normal os limiares de 20 dB ou melhor nas duas orelhas (OMS, ficha de 03/03/2026).
- A classificação de Lloyd e Kaplan, de 1978, também presente no guia do CFFa, considera normal a média menor que 26 dB.
O CFFa lembra que a OMS usava 25 dB como padrão de normalidade até 2017 e passou para menos de 20 dB, considerando o impacto na comunicação. Por isso o laudo deve informar qual referência foi usada.
Os graus de perda auditiva
O grau diz o tamanho da perda e é calculado pela média de algumas frequências da via aérea, nunca por um ponto isolado. O guia do CFFa apresenta várias classificações e deixa a escolha a critério do profissional, exigindo que o laudo indique qual foi adotada. A tabela abaixo é a da OMS de 2021, a referência internacional mais recente entre as que o guia traz. Nela, a média usa 500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz:
| Grau (OMS, 2021) | Média dos limiares |
|---|---|
| Audição normal | menor que 20 dB |
| Perda leve | de 20 dB até menos de 35 dB |
| Perda moderada | de 35 dB até menos de 50 dB |
| Perda moderadamente severa | de 50 dB até menos de 65 dB |
| Perda severa | de 65 dB até menos de 80 dB |
| Perda profunda | de 80 dB até menos de 95 dB |
| Perda completa | 95 dB ou mais |
Alguns laudos usam outra escala, como a de Lloyd e Kaplan, de 1978, que também está no guia do CFFa. Nela a média usa só 500, 1.000 e 2.000 Hz, e as faixas mudam: leve de 26 a 40 dB, moderada de 41 a 55 dB, moderadamente severa de 56 a 70 dB, severa de 71 a 90 dB e profunda acima de 90 dB. Por isso a pergunta certa diante do laudo é qual classificação ele adotou, e essa informação deve estar escrita nele.
Por que dois exames podem dar nomes diferentes
O exame antigo dizia “leve” e o novo diz “moderada”? Antes de se assustar, confira duas coisas:
- A referência mudou? O CFFa avisa que o grau pode mudar conforme a classificação escolhida. A mesma média tem um nome numa tabela e outro na outra.
- A diferença é pequena? Há variação esperada por equipamento, examinador e fatores da própria pessoa. Uma mudança de 5 dB no limiar fica dentro do erro padrão da medida (StatPearls).
Por isso vale levar os exames antigos na consulta: comparar os pontos do gráfico diz mais do que comparar o nome do grau.
A porcentagem da audiometria vocal
O exame pode ter também uma parte com palavras, a audiometria vocal, que avalia a habilidade de detectar e reconhecer a fala. Dois resultados que podem aparecer no laudo:
- LRF, limiar de reconhecimento de fala: a pessoa repete palavras, e o exame procura o som mais fraco em que isso acontece.
- IPRF ou IRF, índice de reconhecimento de fala: a porcentagem de palavras reconhecidas. Pela classificação de Schoepflin, citada pelo CFFa, de 90% a 100% é reconhecimento dentro da normalidade. Outras referências usam outro corte.
É essa parte que ajuda a entender a queixa “eu escuto, mas não entendo”: ouvir o som e reconhecer a palavra são medidas diferentes.
A imitanciometria e as curvas A, B e C
Se o exame incluiu imitanciometria, o laudo traz a timpanometria, que avalia o funcionamento da orelha média. O guia do CFFa sugere a classificação de Jerger:
- Tipo A: mobilidade normal do sistema tímpano-ossicular.
- Tipo B: ausência de mobilidade, a curva não tem pico.
- Tipo C: pico deslocado para pressão negativa.
A letra descreve o formato da curva. O que ela significa para você depende do resto do exame e da sua história.
Ler o exame não é interpretar o seu caso
Segundo o CFFa, o fonoaudiólogo é o profissional capacitado para avaliar a audição e emitir o laudo audiológico. Se o exame foi pedido pelo médico, leve o laudo a ele, porque é com esse resultado que ele decide os próximos passos. Para saber quando vale fazer o exame, veja os 10 sinais de perda auditiva que você não deve ignorar e o guia do teste auditivo em São Bernardo do Campo.
Perguntas frequentes
“Limiares auditivos dentro do padrão de normalidade” quer dizer o quê?
É a frase que o guia do CFFa recomenda quando todos os limiares estão normais pela referência adotada, que o laudo deve citar.
Tenho uma frequência alterada, mas o laudo não fala em grau. Está errado?
Não necessariamente. O CFFa orienta não dar grau por frequência isolada. Quando só estão alteradas frequências que não entram na média, o laudo informa apenas essas frequências.
O resultado já diz se eu preciso de aparelho auditivo?
Não sozinho. A indicação considera também as queixas, a rotina e a conversa com o profissional, e nem todo exame alterado é caso de aparelho.
Precisa fazer o exame ou entender o seu?
Na Aureli Saúde Auditiva, Revendedor Oficial Phonak em São Bernardo do Campo, a audiometria é feita pela fonoaudióloga Jessica Ramos, que explica o resultado com calma e assina o laudo. Pode trazer o filho, a filha ou quem ajuda nas decisões. Veja como funciona o exame de audiometria em São Bernardo do Campo.
Agende sua avaliação auditiva gratuita, sem compromisso. Se não for caso de aparelho, a gente diz que não é. Fale pelo WhatsApp (11) 97870-9261.
R. José Versolato, 111, Sala 2920, Torre B, Centro, São Bernardo do Campo. Segunda a sexta, das 9h às 18h. Sábado, das 9h às 15h.
Fontes
- Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia, Guia de Orientação na Avaliação Audiológica, Volume I, 2ª edição, julho de 2023 (PDF)
- OMS, Deafness and hearing loss, ficha atualizada em 03/03/2026
- Salmon, Brant, Hohman e Leibowitz, Audiogram Interpretation, StatPearls (NCBI), atualizado em 01/03/2023
Conteúdo informativo, atualizado em setembro de 2026. Não substitui a avaliação nem a interpretação do exame por profissional habilitado. Responsável técnica: Jessica Ramos, fonoaudióloga, CRFa 2-24790. Aureli Saúde Auditiva, Revendedor Oficial Phonak. Phonak é marca registrada do Grupo Sonova.
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